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Quem investir em poupança ou fundos DI ficará mais pobre
18/09/2012

18 de Setembro de 2012 11h05
Diego Lazzaris

SÃO PAULO – A lógica dos juros nada tem a ver com usura ou agiotagem. Em troca de adiar uma compra por algum tempo, um consumidor que poupa e aplica o dinheiro recebe em troca uma taxa de juros como prêmio. Somando o capital guardado hoje à remuneração futura dos investimentos, será possível comprar um bem lá na frente com um menor esforço de poupança.

O sistema financeiro mundial tem trabalhado dessa forma há séculos – salvo raros períodos de exceção, geralmente associados a surtos inflacionários. Neste momento, entretanto, o brasileiro vem experimentando algo inédito nas últimas décadas. Apesar de a inflação estar sob controle, as taxas de juros estão tão baixas que o prêmio real pago a quem investir em aplicações conservadoras de renda fixa será negativo nos próximos 12 meses.

Desde o ano passado, o Banco Central derrubou a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) de 12,5% para 7,5% ao ano. O corte de juros foi muito mais brusco que o recuo da inflação no período e gerou uma situação impensável há poucos anos. De acordo com cálculos do economista e professor de finanças, Richard Rytenband, efetuados a pedido do InfoMoney, a Selic média para os próximos 12 meses deve ficar em 7,49%, enquanto a expectativa de inflação para o mesmo período é de 5,63%, segundo o Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central.

Neste cenário, a poupança renderia 70% da Selic mais TR (Taxa Referencial), ou seja 5,24%. “Teríamos um retorno real negativo de 0,37% neste período”, estima o economista. Isso significa que quem tem R$ 100 mil hoje para comprar um bem com um preço atual de R$ 100 mil daqui a 12 meses muito provavelmente terá de aportar mais recursos para conseguir fechar o mesmo negócio - justamente porque o dinheiro terá rendido menos que a inflação.

E o problema não é da caderneta de poupança. Os Fundos DI tampouco têm um cenário animador pela frente. Com a Selic média de 7,49%, inflação de 5,63% e uma taxa de administração média de 1,28% ao ano (dado da Anbima), um investidor que aplicar em um fundo DI e mantiver o dinheiro por um ano terá um retorno real negativo de 0,62%.

“No caso de uma aplicação de R$ 1 mil, por exemplo, o investidor teria R$ 1.062,10, já descontada a taxa de administração. Se retirar os recursos da aplicação depois de 360 dias, ele pagará imposto de 20%, ou R$ 12,42, o que resultaria em um valor final de R$ 1.049,68. Se deflacionarmos R$ 1.049,68 pela inflação esperada de 5,63%, teremos R$ 993,73, portanto uma perda de poder aquisitivo de 0,62% neste período”, ressalta Rytenband.

Com isso, a realidade brasileira começa a ser aproximar da internacional. Devido à crise e aos estímulos dos bancos centrais, vários países apresentam juros reais negativos há vários meses ou anos. Em alguns casos específicos como o alemão, os investidores têm aceitado investir até mesmo em papéis com juros nominais negativos.

Com base nestes dados, o sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, aponta que é cada vez mais importante que o investidor adote uma postura mais ativa, comparando produtos e pesquisando pelos fundos que ofereçam taxas menores. “Nós estamos vivendo um momento inédito, com uma taxa de juros que nunca havíamos experimentado. Se a indústria de fundos não readequar suas taxas de administração, a tarefa de pesquisar e procurar as melhores alternativas passa para o investidor”, diz.

Onde investir?
Na opinião de Ryntenband, para evitar esta perda de poder aquisitivo, o investidor deve olhar mais para ativos de renda fixa indexados à própria inflação, como as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B), que pagam o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mais uma taxa prefixada.

De acordo com dados da Anbima, no mês passado o IMA-B 5+ (Índice de Mercado Anbima 5+), que reflete a carteira dos títulos indexados ao IPCA com prazo acima de cinco anos, registrou retorno 2,78%. No acumulado do ano, o índice apresentou rentabilidade de 22,87%, enquanto o IRF-M, que que calcula o desempenho das LTN (Letras do Tesouro Nacional) e NTN-F (Notas do Tesouro Nacional Série F), títulos indexados à Selic, rendeu 0,69% em agosto e 10,32% no acumulado do ano.

Os fundos de renda fixa atrelados à inflação também podem ser uma alternativa interessante, mas é necessário levar em consideração a taxa de administração para evitar que parte do rendimento seja “corroído”. “A análise e comparação de todas as taxas é fundamental”, reforça Zeno.

Segundo Rytenband, as pessoas também devem olhar para os fundos imobiliários neste momento. “Estes fundos são uma boa opção para quem não quer ter rendimento real negativo, já que os aluguéis distribuídos como rendimentos pelos fundos são corrigidos pela inflação”, pontua. Normalmente, os contratos são atualizados pelo IGP-M (Índice de Geral de Preços – Mercados).

Por fim, o mercado acionário também pode ser uma alternativa para quem quer ganhos maiores do que a inflação no cenário atual. “Apesar da volatilidade da bolsa, existem ações que estão ‘baratas’ e a possibilidade de investir em ações deve ser analisada”, pontua o especialista em investimentos.

O sócio-diretor da AZ concorda. Na opinião dele, o investidor que quiser ter um retorno ao menos parecido com aquele que conseguia até pouco tempo atrás, vai precisar aceitar mais risco nas suas aplicações. “Caso contrário, ele vai ter que se contentar com um rendimento muito baixo e muitas vezes até mesmo negativo em termos reais”, conclui Zeno

Fonte: InfoMoney

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