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OGX e Petro: "Ninguém quer saber de commodities agora", diz estrategista
29/10/2012

29 de Outubro de 2012 11h51
Diego Lazzaris Borges

O estrategista-chefe da FuturaInvest, Adriano Moreno, diz que os investidores têm preferido ações de consumo voltadas para a economia interna

As ações do setor de commodities têm sofrido nos últimos meses, por conta da crise internacional, redução da demanda e da diminuição dos preços da matéria-prima. Neste já conturbado cenário, a OGX Petróleo e a Petrobras têm entrado constantemente no noticiário.

No caso da OGX, empresa do bilionário Eike Batista, os papéis foram duramente penalizados este ano, depois da reavaliação do potencial de extração do poço de Tubarão Azul. Desde o dia 27 de junho, data do anúncio da vazão do poço, os papéis já recuaram 46% (até o fechamento da última sexta-feira).

Já a Petrobras vem enfrentando, desde a sua capitalização no final de 2010, a desconfiança dos investidores, já que muitos não concordaram com a diluição da sua participação no capital da empresa. Na opinião de analistas, a empresa tem um potencial de valorização grande, mas suas ações são penalizadas por conta de desconfianças sobre a ingerência do Governo.

Além dos problemas específicos de cada companhia, o estrategista-chefe da FuturaInvest, Adriano Moreno, ressalta que as ações do setor de commodities, de uma maneira geral, estão sendo penalizadas por conta da crise mundial. “A verdade é que ninguém quer saber de commodities agora. E isso também faz com que os papéis dessas duas empresas sofram um pouco mais”, pontua.
Em relação à OGX, ele aponta que este é um papel muito “shorteado” (vender a descoberto para ganhar com a queda dos papéis) e que sofre muita aversão ao risco por ainda estar em fase pré-operacional. “Em um momento de incertezas e turbulências como agora, as empresas pré-operacionais sempre acabam sofrendo mais, porque o mercado acaba tendo uma certa desconfiança”, pontua Moreno.
Na semana passada, Eike anunciou que poderá comprar US$ 1 bilhão em ações da OGX quando a companhia achar que é necessário se capitalizar. A empresa precisará subscrever novas ações para o controlador ao preço de R$ 6,30 até completar a quantia de US$ 1 bilhão. No dia seguinte ao anúncio, as ações subiram, mas logo devolveram os ganhos. “Foi uma jogada interessante, mas não foi suficiente para reverter, até mesmo porque o mercado está todo vendedor”, afirma o sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno
Já sobre a Petrobras, Moreno ressalta que o balanço da companhia, divulgado na última sexta-feira (25), decepcionou o mercado. “Estavam esperando um lucro maior e a reação veio nesta queda verificada hoje”, diz.
Para Zeno, o mercado também tem muita dúvida em relação ao Pré-sal. “Existe muito receio sobre isso. Houve um marketing muito grande no início, mas depois começaram revisões em relação ao potencial deixando algumas incertezas. O setor perdeu um pouco de ‘charme’ de algum tempo para cá, com os altos custos para extração, refinarias e o forte endividamento da empresa”, diz Zeno.
Perspectivas
Para eles, no curto prazo, as perspectivas para as ações ainda é de volatilidade e incertezas. “Não vejo boas perspectivas para curto prazo. Mas no médio e longo prazo, se a Europa melhorar e o cenário externo, de uma maneira geral, ficar mais claro, pode ser uma alternativa”, diz Zeno.
Moreno concorda. “Acho que o não vai permanecer tão ruim durante muito mais tempo. Mas é preciso que haja uma sinalização de melhora da economia mundial. Com pouca previsibilidade da economia global, essas ações continuam fora do radar dos investidores, que preferem empresas voltadas para o consumo interno”, conclui Moreno.

 

Fonte: INFOMONEY

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