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Temporada de balanços dos EUA começa, mas o que isso significa para o Brasil?
09/01/2013

08 de Janeiro de 2013 18h19

O ano de 2013 começou eufórico no mercado acionário, mas as empresas não devem celebrar um bom término de 2012. A temporada de balanços corporativos está de volta nos Estados Unidos, mas as projeções não indicam um desfecho satisfatório, ao passo que as preocupações em torno do abismo fiscal devem deixar marcas de incertezas nos resultados das empresas, enquanto os efeitos da tempestade Sandy ainda devem ser sentidos.

A quarto trimestre marcará assim uma temporada interessante, dado a dificuldade de se fazer uma avaliação justa dos números, tendo em vista que o período foi marcado por eventos transitórios, porém nada desprezíveis, como a eleição presidencial nos Estados Unidos, catástrofes climáticas na costa leste do país e a "paralisia" diante da dúvida que se criou na resolução do abismo fiscal, disse o economista da XP Investimentos, Daniel Cunha.

Com isso, as empresas listadas no índice norte-americano S&P 500 devem ver um crescimento nos lucros de apenas 2,8% no quarto trimestre, segundo projeções compiladas agência de notícias Reuters. Um resultado que deixaria claro que a questão política e a temporada de resultados não são coisas distintas, valendo a pena ponderar o quão longe os lucros podem crescer quando o avanço do emprego é escasso e alguma forma de austeridade parece destinada a emergir de uma série de discussões fiscais daqui pela frente em Washington - lembrando que o acordo fiscal foi apenas o primeiro passo dos líderes norte-americanos.

Temporada dos EUA funciona como termômetro para Ibovespa
Num paronama de cautela, a temporada por lá funcionaria como termômetro para o mercado doméstico, podendo levar a fortes oscilações nos humores dos investidores por lá, e tendo reflexos claros e diretos no comportamento do Ibovespa, avalia Cunha. A percepção atual é que o mundo corporativo está em sua posição mais saudável em décadas, ao contrário das finanças dos Estados. Um desapontamento com os resultados pode tirar o último pilar de sustentação da bolsa, tanto por lá, quanto por aqui.

Por isso, a importância de acompanhar de perto os números corporativos dos Estados Unidos. "Os agentes estão interessados em saber como está a saúde das empresas da maior economia do mundo, e cuja a grande maioria tem atuação global, servindo, portanto, como um do principais indicadores de como está a conjuntura da economia real", disse o economista.

Mas além dos resultados, Cunha ressalta que é bom monitorar também as expectativas das empresas para os próximos trimestres. "As projeções não devem ser muito animadoras dado que o país ainda permanecerá sob um forte tom de cautela e indefinição até as discussões fiscais e o problema do teto da dívida forem solucionados. E isso pode se arrastar até meados de março", avalia.

Isso é importante já que o mercado sempre olha para frente para trazer o valor presente, e caso as estimativas caíam, é possível ver um movimento de piora do humor dos investidores, acrescenta o diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno.

Alcoa dará largada na temporada
A temporada dos EUA dará largada na noite desta terça-feira com os números da produtora de alumínio Alcoa. A companhia, que compõe o índice Dow Jones, é tradicionalmente a primeira a reportar os resultados no país e seus números servem como um balizador para o mercado.

Mas os especialistas esperam por um trimestre fraco para a companhia, que deve fechar o período com uma receita menor, em função da economia global, incluindo desaceleração de crescimento na China e crise da dívida na Europa, reduzindo com isso a demanda por alumínio e os preços do produto.

Para o Brasil, contudo, Cunha pondera que seria importante os investidores observarem não apenas o componente lucro das empresas, que acaba virando o protagonista nessa época de temporada, mas os resultados de volumes de vendas e variação nos preços finais, além da avaliação subjetiva por parte da companhia acerca do ambiente de negócios e suas expectativas para o curto prazo. "A partir disso, poderemos avaliar como está o balanço da oferta e demanda por commodities e as respectivas implicações nas percepções sobre as empresas que atuam no mesmo contexto", explica.

A temporada dos EUA, contudo, começa a ganhar força depois desta semana, quando serão divulgados os resultados dos bancos: JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Bank of America Merrill Lynch, Citigroup e Morgan Stanley.

Confira os destaques da agenda de resultados dos EUA para primeiras semanas:

 

Companhia
Data Horário
Alcoa 08/01     Depois do pregão    
Wells Fargo 11/01 14:00
JPMorgan Chase      
16/01     
13:00
Goldman Sachs 16/01 13:00
UnitedHealth 17/01 Depois do pregão
BofA 17/01 13:00
Citigroup 17/01 14:00
Morgan Stanley 18/01 -
General Electric 18/01 -

Fonte: InfoMoney

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