News - Briefing de Mercado

Bolsa tem melhor trimestre desde 2012
01/10/2013

30 de Setembro de 2013 11h31
Téo Takar e Aline Cury Zampieri

Se não houver nenhum sobressalto no pregão desta segunda-feira, a Bovespa deverá fechar setembro com ganho em torno de 7,5%, registrando seu melhor mês desde janeiro de 2012, quando avançou 11,1%. Também será o melhor desempenho trimestral desde o primeiro trimestre de 2012, com alta superior a 13% neste terceiro trimestre.

O avanço acontece de forma concomitante com a volta do investidor estrangeiro, que aplicou R$ 4,5 bilhões em ações brasileiras na BM&FBovespa neste mês. A reação, no entanto, não foi provocada por uma melhora nos fundamentos dos ativos locais, dizem especialistas.

"A alta teve relação com o enfraquecimento do dólar frente ao real, o que deixou nosso mercado ainda mais barato do ponto de vista do estrangeiro", explica o sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno. Mesmo com a forte recuperação recente, o Ibovespa ainda acumula, em 2013, uma perda nominal de 11,8% e, em dólar, de 20,2%.

Para Zeno, o risco político continua pesando contra os papéis brasileiros, embora com menor intensidade do que no início do ano, quando o mercado ainda absorvia o impacto de diversas intervenções do governo em setores como o elétrico e o bancário.

"O último leilão de rodovias mostra isso. Foi um fiasco no caso da BR-262. O governo está pagando o preço da desconfiança dos investidores, mas parece que já se deu conta disso e está começando a promover algumas mudanças, avalia o gestor.

Apesar disso, Zeno está otimista com o desempenho da bolsa brasileira no último trimestre deste ano e acredita que o Ibovespa fechará o ano na linha dos 62 mil pontos, zerando as perdas acumuladas ao longo de 2013.

"Creio que o pior já passou. A economia mundial está dando sinais de recuperação e o mercado também está acompanhando esse processo", diz o especialista.

Ele vê algum risco na discussão sobre o teto da dívida americana, que poderá ser atingido em meados de outubro, mas acredita que o Congresso dos Estados Unidos chegará a um acordo antes disso.

Quanto às incertezas sobre OGX, cujas ações ainda possuem uma participação relevante dentro do Ibovespa, Zeno considera que o mercado já embutiu no preço do ativo todo o risco da companhia. "Nessa altura, nada muda se a ação valer R$ 0,20 ou R$ 0,40. O que existe agora é meramente especulação e volatilidade."

Na sexta-feira, o papel da petroleira de Eike Batista caiu quase 10% e atingiu nova mínima histórica, de R$ 0,28. O tombo do ativo na semana chegou a 26,3%. As quedas se acentuaram após o Valor apurar que a OGX poderá dar um calote nos detentores de bônus que vencem em 2022. A empresa precisa pagar nesta terça-feira uma remuneração (cupom) de US$ 45 milhões a esses credores.

Após o fechamento do mercado, a OGX confirmou que não efetuou o pagamento de juros de uma emissão de debêntures que estava previsto para quarta-feira passada. A OGX Austria, única credora dessas debêntures, aceitou postergar o recebimento dos juros para 25 de março de 2014. As debêntures, emitidas pela OGX para aproveitar uma brecha legal para não pagar imposto, estão atreladas à emissão dos bônus de 2022.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,08%, aos 53.738 pontos, com volume de R$ 6,111 bilhões. O destaque positivo do dia foi a ação unit do Santander, que teve alta de 7,63%, para R$ 15,50. O banco anunciou que vai devolver aos seus acionistas R$ 6 bilhões em capital, em meio a um chamado plano de otimização do seu patrimônio de referência.

Fonte: Valor

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