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Após 5 altas seguidas, Ibovespa terá semana-chave com Petrobras e China
24/03/2014

21 de Março de 2014 19h31
Rodrigo Tolotti Umpieres - Marcos Mortari

No Brasil, última semana da temporada de resultados deve trazer volatilidade; EUA também chama atenção com PIB anualizado e discursos de líderes do Fed

Após encerrar uma sequência de quatro quedas semanais do Ibovespa, o mercado brasileiro deve passar por uma semana chave nos próximos dias. Apesar das perspectivas para a última semana de março serem marcadas por maior calmaria na agenda macroeconômica - depois da divulgação do Ibope na véspera ter rendido muita especulação com a expectativa não confirmada -, a esperança de uma volatilidade reduzida não tira a importância do investidor de ficar de olhos bem abertos nos movimentos do mercado, principalmente com a Petrobras. A próxima semana pode ser um divisor de águas para a Bovespa, conforme afirmam os analistas.

Em detrimento à melhor sequência alcançada pelo Ibovespa desde setembro de 2013, especialistas do mercado ainda são cautelosos em dizer que o humor mudou na bolsa brasileira. Para o assessor de investimentos da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga, o bom retrospecto recente ainda não é o suficiente para confirmar uma mudança de sentido na Bovespa. "Desde novembro, a bolsa não parou de cair", diz, reiterando que a melhora apenas em março ainda não significa uma mudança de cenário na Bolsa.

Com isso, o movimento recente do Ibovespa ainda é interpretado como um repique, mas com alguns traços animadores para os investidores. "[O índice] está em repique, porque a tendência ainda é clara de baixa, mas com forte expectativa de retomada de tendência de alta, principalmente com relação às notícias de Petrobras (PETR3, PETR4)", observou Madruga. O analista acrescenta ainda que o fato de abril ser historicamente um mês positivo pode ajudar muito na recuperação do mercado de capitais brasileiro. No entanto, para que o cenário seja interpretado como uma real alteração no humor dos investidores, um bom desempenho das ações na próxima semana se faz ainda mais importante - o que aumenta a necessidade de acompanhar de perto a agenda dos acontecimentos.

Petrobras e resultados agitam a semana
Do lado corporativo, a Petrobras ainda deve se manter em destaque nos noticiários. Para o sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, as questões sobre a petrolífera devem ser o foco do mercado até as eleições. O diretor diz que são muitas questões envolvendo a companhia e a volatilidade pode ser grande não só na próxima semana. "Existe muita política por trás disso tudo e em ano de eleição isso acaba tendo um impacto ainda maior", explica. Ele ainda ressalta que questões como pesquisas de intenção de voto devem gerar rumores e trazer volatilidade para os papéis nos próximos meses.

Nos últimos dias, não só a pesquisa Ibope, mas também as diversas notícias sobre uma possível CPI da companhia, as investigações sobre a compra de uma refinaria em Pasadena, entre diversos outros debates no Senado levaram a petrolífera a ganhar destaque na Bolsa. Analistas explicam que o fato de fazerem tantas investigações podem sinalizar uma "arrumação da casa" na Petrobras, o que seria bastante positivo, por isso mesmo, os papéis da companhia registraram ganhos em torno de 10% nos últimos 5 pregões.

Com pouco mais de 11% de representação da carteira teórica do Ibovespa é importante se manter atento ao noticiário da companhia, já que qualquer novidade pode afetar o índice todo tanto de forma positiva quanto negativa. Para a próxima terça-feira já está marcada uma reunião da oposição para começar articular o processo da CPI da companhia.

Ainda dentro do cenário corporativo, o período de 24 a 28 de março marca a última semana da temporada de resultados do quarto trimestre. Serão 9 empresas do Ibovespa divulgando seus números, com destaque para o setor elétrico, imobiliárias e a Sabesp (SBSP3), que em meio a falta de chuvas que tem afetado a companhia acabou adiando a divulgação de seu balanço, que deveria ser entregue hoje.

Destaques internacionais
Fora do Brasil as atenções ficam com a China e com os EUA. No gigante asiático a semana começa com a divulgação da prévia do PMI da indústria, importante indicador e que pode afetar o humor no mundo todo. No Brasil, esse dados pode influenciar o desempenho de empresas como Vale (VALE3; VALE5) e as siderúrgicas, que tem a China como um de seus principais mercados de exportação.

Para Ricardo, a China tem afetado muito mais o mercado brasileiro do que os EUA, por exemplo. "Os impactos da Ásia acabam sendo mais fortes devido à nossa bolsa ser muito baseada em commodities", explica o diretor. 

Enquanto isso, nos EUA chamam atenção os diversos discursos de líderes do Federal Reserve. Esse tipo de evento volta a ser destaque após a autoridade monetária decidir, na última quarta-feira (19), por dar a primeira sinalização de que pode mudar a forma como reduz os estímulos na economia, assim como indicou que o aumento dos juros poderia ocorrer antes do esperado.

Entre os indicadores, destaque para o resultado final do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano. Ricardo destaca que serão muitos dados nos EUA, mas que os investidores já precificaram o cenário por lá. "Em relação aos EUA, o que devemos ficar atento é às discussões com a Rússia, que com qualquer surpresa pode afetar os mercados", afirma ele.

Fonte: Infomoney

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