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Poupança é coisa do passado; conheça quem pode substituí-la
19/05/2014

19 de Maio de 2014 09h45
Arthur Ordones

O investimento na caderneta de poupança, apesar de ainda ser extremamente popular, está longe de ser uma boa opção para os investidores, visto que sua rentabilidade - de 0,5% ao mês mais a taxa referencial, o que equivale a 6,17% ao ano – atualmente, não supera a inflação, que está em 6,28% ao ano em 12 meses, segundo dados do IBGE referentes a abril. Ou seja, a rentabilidade real (deflacionada) do investimento é negativa.

No entanto, apesar desta rentabilidade real negativa, a população brasileira é muito apegada à poupança (90 milhões de contas a mais de R$ 125 milhões), visto que, por conta de desinformação e falta de educação financeira, muitos desconsideram o efeito da inflação e se apegam a qualidades que o produto oferece, como o fato de não ter um valor mínimo, alta liquidez, isenção de Imposto de Renda e taxas, segurança e facilidade de investimento, que, de forma alguma, superam o fato de ele oferecer uma rentabilidade real negativa.

Pensando nisso, alguns gestores de fundo querem criar um grande concorrente da poupança, que, teoricamente, “roubará” o posto de investimento mais popular do Brasil, por oferecer uma rentabilidade maior e a mesma facilidade. O problema desta ideia está em igualar a atratividade em relação à isenção de IR e taxas de administração e ao fato de poder sacar o dinheiro a qualquer momento sem ter a chance de sair no prejuízo.

A instrução 409, já em audiência pública, propõe a criação do Fundo de Risco Soberano Simplificado, que visa ser o produto a levar a classe média emergente ao mercado de capitais pela primeira vez.

95% do patrimônio do fundo serão investidos em títulos públicos federais ou emitidos por instituições financeiras de risco de crédito, no mínimo, equivalente ao risco soberano e, todos os processos de distribuição e documentação serão feitos pela internet.

De acordo com Ricardo Zeno, diretor da AZ Investimentos, a proposta é interessante, mas vai depender de muitos fatores para dar certo. “Para substituir a poupança, ela precisa, no mínimo, oferecer tudo de bom que ela oferece, mas com uma rentabilidade melhor. Será que eles irão conseguir isentar o fundo de IR e taxas? Complicado”, afirmou.

Já para Elisson de Andrade, educador financeiro, substituir a poupança com essa proposta é inviável, visto que não tem como convencer as pessoas que é um investimento melhor que a poupança, já que não oferece a possibilidade de tirar o dinheiro a qualquer momento sem chance de perder rentabilidade e ainda cobra taxas de administração.

Segundo informações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a própria autarquia entrou com um pedido para acabar com o “come-cotas”, que é uma cobrança antecipada de IR sobre os rendimentos de quem investe em fundos de investimento tradicionais, como os de renda fixa e o DI, mas o pedido ainda não foi aprovado.

Para Andrade, nem assim este fundo irá acabar com o “brilho da poupança”. “As pessoas mais educadas financeiramente sabem que estes fundos são muito melhores que a poupança, mas como explicar isso para a população menos informada a respeito do assunto? Não é dizendo que não tem mais ‘come-cotas’ que irão conseguir convencê-las”, disse. “Da poupança, as pessoas podem sacar a qualquer momento, como você vai dizer para elas que o dinheiro está aplicado em um fundo com títulos NTNT-B com vencimento em 2050, que podem desvalorizar se resgatados antes do resgate?”, completou.

Zeno complementou dizendo que as pessoas não entendem que a inflação não diminui a quantidade do dinheiro que foi aplicado na poupança, mas faz com que ele perca poder de compra. “Vai demorar muito ainda para que os brasileiros se desapeguem da poupança e se vinculem a outros investimentos mais inteligentes”, finalizou.

Fonte: Infomoney

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