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Expectativa em relação a novas pesquisas eleitorais dá o tom na Bolsa
15/07/2014

15 de Julho de 2014 16h55
Ana Paulo Ribeiro / Renna Setti

O Ibovespa, principal indicador do mercado acionário local, segue volátil à espera de novas pesquisas eleitorais. Às 16h46, o indicador registrava alta de 0,56%, aos 56.057 pontos, após operar até o meio da tarde bem perto da estabilidade. Já o dólar comercial opera em alta de 0,45%, cotado a R$ 2,2220 na venda.

— A expectativa em torno das eleições vai durar até outubro. O mercado quer colocar no preço das ações as expectativa em relação a um futuro governo. Isso vai gerar volatilidade — diz Ricardo Zeno, sócio da AZ Investimentos.

Estão previstos os levantamentos dos institutos Sensus, Datafolha e Ibope - todos já registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A expectativa é que os novos dados mostrem um avanço dos candidatos de oposição. Quando isso acontece, as ações de empresas estatais costumam ser as mais beneficiadas.

Na segunda-feira, as ações da Petrobras já haviam subido mais de 4%. Nesta terça-feira, os papéis da estatal operam em alta, mas em um movimento mais modesto que no pregão anterior. As preferenciais (sem direito a voto) sobem 0,99% e as ordinárias (com direito a voto) registram alta de 0,62%. As ações da Petrobras são responsáveis por mais de 20% do movimento do pregão desta terça-feira.

— O que os investidores estão esperando de fato é alguma nova pesquisa, que é o que vai dar o direcionamento para a Bolsa para o resto da semana — avalia Carlos Cardoso, economista da Futura Invest.

Mas há expectativa de melhora da oposição nas pesquisas não é consenso. O gestor da Daycoval Asset Management, Anderson Rodrigues dos Santos, acredita que há muita especulação por parte dos agentes de mercado desde a derrota da seleção brasileira por 7 a 1, em jogo realizado pela Copa do Mundo contra a Alemanha.

— E não estou certo de que as pesquisas mostrarão um efeito sobre as pesquisas eleitorais. Por mais que a derrota tenha gerado uma frustração, há uma avaliação de que a Copa do Mundo foi boa — diz.

Além disso, para o gestor, do ponto de vista dos fundamentos macroeconômicos, não há razão para uma melhora da Bolsa, já que a fraca atividade econômica, independente de quem ganhe, irá afetar o lucro das empresas.

Fora da disputa eleitoral, a maior alta do pregão está sendo registrada pela Marfrig. As ações do frigorífico operam em alta de 7,66%, motivada pelos rumores de que a empresa negocia um novo canal de vendas de carne com destino a China, o que elevariam as vendas. A companhia já tem um contrato para fazer a sua venda de frango chegar ao país asiático.

Já a CSN, segundo um operador, sobe puxada pelo anúncio do programa de recompras. A ação da siderúrgica avança 5,14%. Esse movimento também estimulou a alta da Usiminas, que registra alta de 4,54%.

DÚVIDA SOBRE A OI

Já as ações da Oi operam em queda de 0,64%, cotadas a R$ 1,55. Nesta terça-feira, os controladores do grupo Espírito Santo venderam uma fatia de 5% que tinham no banco. Por sua vez, esse grupo é um dos principais acionistas da Portugal Telecom, uma das controladoras da empresa de telefonia brasileira.

Os papéis da Oi têm sido pressionados nos últimos dias devido a uma dívida de uma das empresas do grupo Espírito Santo, a Rio Forte com a Portugal Telecom.

— No caso de um calote de quase 1 bilhão de euros, cuja probabilidade é enorme, a situação da fusão fica muito complicada. Não recomendaríamos ninguém a investir na Oi nesse momento de tamanha incerteza — disseram os analistas da Coinvalores, Felipe Silveira e Daniel Liberato.

Segundo o analista, há dois cenários possíveis para a fusão. Se o calote for dado, a participação da PT seria reduzida na nova companhia. Já no caso de a dívida da RioForte ser rolada, a situação é um pouco melhor, dizem, porque o fluxo de pagamentos das dívidas da Portugal Telecom em 2015 é mais brando que este ano.

O analista João Lampreia, do português Banco de Investimento Global (BiG), acredita que a fusão entre Oi e Portugal Telecom (PT) sairá mesmo em caso de calote da RioForte, mas diz que a PT provavelmente terá diminuída sua participação na nova empresa. Lampreia, no entanto, não acha que a redução será tão drástica como se prevê - já se fala em 20%, no lugar dos 38% -, "uma vez que uma eventual revisão excessivamente agressiva dos termos do negócio poderá comprometer toda a operação." Ele prevê que a participação caia para 32,5% em um cenário considerado conservador.

O analista prevê que a volatilidade nos papéis das companhias continuará por um tempo, mas argumenta "que o mercado já extremou grande parte de possíveis perdas que a Portugal Telecom poderá incorrer com a posição que detém em papel comercial da Rioforte."

CÂMBIO EM ALTA

Já no mercado de câmbio, o dólar comercial avança diante o real. Às 16h46, a moeda americana era cotada a R$ 2,2200 na compra e a R$ 2,2220 na venda, com alta de 0,45%.

Na avaliação de Cardoso, da Futuro Invest, o mercado externo acaba tendo um maior efeito sobre os rumos do câmbio. Foi o caso do discurso de Yellen, que fez o dólar ganhar força, embora ele não veja espaço para grandes oscilações. A cotação tem se mantido entre R$ 2,20 e R$ 2,25.

— A mudança seria se houvesse uma sinalização de antecipação do fim dos estímulos nos Estados Unidos — disse Cardoso.

No mercado de juros, expectativa com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta terça-feira e quarta-feira. O consenso é de manutenção da taxa Selic em 11% ao ano. Isso faz com que haja uma estabilidade nos mercados, em especial do de juros. Os contratos com vencimento em janeiro de 2020, por exemplo, estão estáveis em 11,81% ao ano.

Fonte: O Globo

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