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Ações da Petrobras caem e da Gol disparam após decisão da Opep
27/11/2014

27 de Novembro de 2014 10h41
Ana Paula Ribeiro

Com reversão nos papéis da estatal, Ibovespa reduz ritmo de alta para 0,64%

A decisão da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) em manter a produção diária do óleo em 30 milhões de barris ao dia mudou o humor dos investidores brasileiros, afetando principalmente as ações da Petrobras, que passaram a cair, reduzindo o ritmo de alta da Bolsa brasileira. Às 15h|20, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário local, operava em alta de 0,64%, aos 55.451 pontos - na máxima do pregão chegou aos 56.065,13. Já no mercado de câmbio, o dólar comercial estava praticamente estável diante o real, com pequena variação positiva de 0,07%, a R$ 2,507 na compra e a R$ 2,509 na venda.

Com essa decisão, analistas avaliam que o preço do barril de petróleo deve continuar em queda, prejudicando as empresas produtos. Os papéis preferenciais (sem direito a voto) operam em queda de 1,84% e os ordinários (com direito a voto) recuam 1,73%. Pela manhã, a alta nesses ativos era superior a 3%.

Por outro lado, as ações da Gol são beneficiadas diretamente por essa expectativa de queda ainda maior no preço do petróleo - os contratos do tipo Brent com entrega para janeiro caíram 5,95% nessa quinta-feira, a US$ 73,12 o barril. Os papéis da companhia área, que já operavam em alta, passaram a registrar valorização de 8,94% após a decisão da Opep, a maior alta do pregão. O operador de uma corretora local lembrou que, além da queda do preço do combustível, a empresa ainda se beneficia da depreciação do dólar nos últimos dias.

À ESPERA DA NOVA EQUIPE

O tom otimista dos investidores e analistas se mantém com a expectativa de mudança na condução da política econômica.

— Devemos ver algumas medidas de curto prazo. A expectativa é positiva por parte do mercado — avaliou Ricardo Zeno, da AZ Investimentos.

Na avaliação de Alan Oliveira, analista da corretora Futura Invest, o principal vetor dos negócios dessa quinta-feira é a confirmação do nome da nova equipe econômica e as sinalizações que os novos ministros devem dar sobre a condução da política econômica.

— O mercado deve continuar nessa tendência de alta. A entrevista vai direcionar muito do humor do mercado. Se espera não o anúncio de medidas econômicas, mas quais devem ser as propostas — afirmou.

Após o anúncio oficial da equipe econômica, os escolhidos pela presidente devem dar uma entrevista. Para analistas, isso será importante para saber quais serão as diretrizes da política econômica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Os nomes a serem confirmados são o de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, Joaquim Barbosa para o Planejamento e a continuidade de Alexandre Tombini no Banco Central.

VIRADA DE MÊS PUXA BOLSA PARA CIMA

Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, a alta dessa quinta-feira também é justificada pela proximidade do fim do mês. Nesse período, os gestores fazem os ajustes nas carteiras de investimentos.

— Há a expectativa em relação aos novos ministro e também é virada de mês, e os gestores precisam ajustar as carteiras — afirmou, lembrando que a ausência dos investidores estrangeiros, devido ao feriado nos Estados Unidos, ajuda esse movimento.

O giro financeiro projetado para esse pregão está em torno de R$ 3 bilhões, metade do que vem sendo praticado nesse mês. A tendência de alta, ainda segundo Santos, está atrelada ao sentimento de que a nova equipe econômica terá que agir no curto prazo para o país não correr o risco de perder o grau de investimento.

As ações do setor bancário, que possui a maior participação na composição do Ibovespa, também operam com ganhos. Os papéis do Itaú Unibanco sobem 0,15%, Bradesco tem leve alta de 0,04% e as ações do Banco do Brasil avançam 2,63%.

Já o adiamento da votação da flexibilização da meta do superávit contribui de forma negativa para os negócios na Bolsa. No mercado de câmbio, a influência negativa vem da China, que divulgou uma queda de 2,1% no lucro das empresas em outubro mais um indicativo da desaceleração da economia chinesa. Apesar da má notícia da China, as ações da Vale operam em alta. A expectativa de analistas é que, em 2015, a queda no preço do minério de ferro seja menos agressiva - nesse ano, a queda está em torno de 50%. Os papéis preferenciais operam em alta de 2,27% e os ordinários sobem 2,60%.

Apesar do otimismo, o volume de negócios deve ser menor nessa quinta-feira devido ao feriado (Dia de Ação de Graças) nos Estados Unidos. Na Europa, os principais índices do mercado acionário operam em alta. O DAX, de Frankfurt, registra alta de 0,60%. O CAC 40, da Bolsa de Paris, sobe 0,20%, e o FTSE 100, de Londres, está praticamente estável, com leve variação negativa de 0,09%.

Fonte: O Globo

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