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Dólar opera com volatilidade e sobe a R$ 2,63, em dia de turbilhão provocado por decisão da Suíça
16/01/2015

15 de Janeiro de 2015 10h15
Rennan Setti

País pegou investidores de surpresa ao extinguir o piso para o câmbio de sua moeda frente ao euro. Petrobras puxa alta da Bovespa.

— O dólar comercial registra forte oscilação nesta quinta-feira. A moeda americana passou a manhã em baixa e chegou a valer R$ 2,599, mas agora sobe 0,53%, cotada a R$ 2,635 para compra e a R$ 2,637 para venda. Embora o dia seja de turbulência no mercado global de moedas após a Suíça ter eliminado seu piso para o câmbio de forma inesperada, analistas afirmam que o câmbio brasileiro registra volatilidade por causa das incertezas econômicas internas.

— A decisão suíça serviu para deixar o mercado ainda mais “estreito”, ou seja, com poucas operações em virtude da grande volatilidade do câmbio. Isso, juntamente com as incertezas sobre a política econômica brasileira, faz com que alguns pequenos movimentos tenham impacto maior — explicou Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio Banco Paulista. — Hoje, por exemplo, o fluxo de dólares foi positivo pela manhã, com investidores internacionais fazendo o chamado “carry trade”. Vindo para o Brasil para aproveitar nossa taxa de juros mais elevada que no resto do mundo.

Na opinião de Hideaki Iha, operador de câmbio da Fair Corretora, o dólar gozou de um alívio nos últimos dias por causa das expectativas positivas sobre a nova equipe econômica e pela noção de que o aumento de juros nos EUA pode ser adiado.

— Mas, até agora, só veio discurso da equipe econômica, nada concreto, e o aumento de juros americanos vai acontecer em algum momento. Então, a tendência de longo prazo para o dólar é de valorização. O que estamos vendo nos últimos dias é entrada de “dinheiro curto” que acaba tendo um impacto maior porque o mercado está estreito — comentou o economista.

O Banco Central da Suíça (SNB) pegou de surpresa os investidores ao extinguir o piso para o câmbio entre o franco suíço e o euro. A taxa mínima de 1,20 francos por euro estava em vigor há três anos e visava a blindar um fortalecimento extremo da divisa durante a crise da dívida soberana da zona do euro. Com o anúncio, o franco suíço disparou até 20%, a um recorde frente ao euro e ao maior valor em três anos frente ao dólar.

A medida do SNB veio completamente inesperada pelos mercados e busca se antecipar a um provável programa de compra de ativos pelo Banco Central Europeu (BCE). Esse programa de estímulo econômico deve pressionar ainda mais a valorização do franco suíço, o que tornaria muito custoso manter o limite que o SNB vinha impondo.

A decisão espalhou mau humor pelos mercados. O Bolsa de Zurique cai 10%, maior declínio desde 1997. A Bolsa de Londres, que estava em alta pela manhã, despencou após o anúncio, mas retomou a tendência de alta no início da tarde (horário europeu). Foi assim com o restante das Bolsas do continente. O índice de referência Euro Stoxx agora sobe 1,16% , enquanto a Bolsa de Frankfurt tem alta de 1,11%.

PETROBRAS DEVE DIVULGAR BALANÇO NO DIA 27

Após quatro quedas consecutivas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta nesta quinta-feira, com as ações da Petrobras subindo apesar de o petróleo estar em baixa. O pregão ganhou fôlego no fim da manhã, com a Petrobras avançando 7%. Às 16h04m, o índice de referência Ibovespa subia 0,90%, aos 48.076 pontos.

A Petrobras sobe com força, depois de ter informado, em fato relevante na noite de quarta-feira, que poderá divulgar seu balanço financeiro em 27 de janeiro, a depender do resultado da reunião do seu conselho de administração que acontece naquele dia. Ela se referiu ao balanço não auditado, cuja divulgação já foi adiada duas vezes. A empresa se comprometeu a divulgar balanço auditado “o mais breve possível”.

— Os papéis da companhia estão se ajustando à forte alta que o petróleo iniciou na tarde de ontem. Mas o mercado está, como se diz no jargão, andando de lado. Os investidores continuam aguardando mais detalhes sobre a nova política econômica do governo — disse Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

As ações da companhia sobem 6,47% (ordinárias, com direito a voto) e 5,72% (PN, sem voto). A Vale, que caiu 8% na véspera com o derretimento das commodities, hoje sobe 1,77% (ON) e 1,65% (PN). Além da Petrobras, puxa para cima o pregão o desempenho dos bancos. O Bradesco sobe 2,54%, enquanto o Banco do Brasil registra alta de 2,97%. O Itaú Unibanco sobe 2,69%, e o Santander, 3,79%.

Fonte: O Globo

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