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Bolsa fecha na maior alta em 2 semanas e dólar encerra em R$ 2,60 após notícia sobre estímulo europeu
22/01/2015

22 de Janeiro de 2015 11h33
Rennan Setti

Investidores também aguardam anúncio do Copom sobre juros básicos

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em sua maior alta em duas semanas nesta quarta-feira, impulsionada por notícias sobre um programa bilionário de estímulo econômico a ser lançado pelo Banco Central Europeu (BCE). Mesmo com os investidores em compasso de espera pela reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina hoje, a Petrobras ganhou impulso após o vazamento do plano europeu e subiu mais de 6%. Entre investidores, há a expectativa de que países emergentes serão favorecidos pelo pacote do BCE, já que ele aumentará o montante disponível para investimentos no mundo. O índice de referência Ibovespa avançou 2,81%, aos 49.224 pontos.

O dólar comercial encerrou em baixa de 0,30%, cotado a R$ 2,605 para comprar e a R$ 2,607 na venda. Na mínima do dia, chegou a valer R$ 2,587. Além da influência do pacote europeu, a moeda americana perdeu valor frente ao real com a expectativa dos investidores de que os juros básicos do Brasil serão elevados em 0,50 ponto percentual, para 12,25% ao ano, na reunião de hoje do Copom. Juros em alta atraem investidores estrangeiros, o que eleva a oferta da divida americana no país e tende a reduzir seu valor. Já o pacote europeu, por também elevar a liquidez global, aumenta a entrada de dólares no país.

— O Copom de hoje é muito importante, pois dará pistas sobre como serão as próximas reuniões. Embora o consenso do mercado aponte para aumento de 0,50 ponto percentual na Selic, os investidores querem saber se o esforço fiscal anunciado pelo governo irá fazer com que o Banco Central freie o aumento de juros, para não desacelerar demais a economia — afirmou Maurício Pedrosa, estrategista da Queluz Asset Management.

A Comissão Executiva do Banco Central Europeu (BCE) propôs um programa de quantitative easing (QE) — estímulo via compra de títulos — de 50 bilhões por mês, pelo prazo mínimo de um ano, noticiaram o “Wall Street Journal” e a “Bloomberg” nesta quarta-feira. O BCE não confirmou oficialmente a notícia, que foi baseada em relatos de fontes dentro do banco. O estímulo, que já vinha sendo antecipado pelo mercado, visa a acelerar a lenta economia da zona do euro. A Bolsa de Londres sobe 1,17%, enquanto a de Paris tem alta de 0,39%. Em Frankfurt, as ações operam com valorização de 0,04%.

— O mercado já precifica essa ação do BCE. Parte da apreciação do real nos últimos dias se deve a isso. É uma medida que beneficia a liquidez global. Se vier algo acima do esperado, vai ajudar o real no curto prazo. O mercado está muito atento a alguns fatores no curto prazo e que afetam o real: as medidas de política econômica no Brasil, as sinalizações do Fed e o pacote na Europa. Tudo isso desenha os movimentos de curto prazo, mas quando se olha os fundamentos, esperamos uma depreciação no médio prazo — analisou Ricardo Denadai, economista-chefe da Santander Asset Management.

As ações da Petrobras avançaram 6,41% (ordinárias, com direito a voto) e 5,36% (preferenciais, sem voto). Os papéis registravam uma alta tímida durante a manhã mas decolaram após o vazamento de detalhes do programa europeu.

— Os papéis da petrolífera já vinham em tendência de alta por causa da notícia de que repassará ao mercado a elevação do PIS/Cofins e da Cide anunciada pelo governo. Mas o estímulo europeu eleva a liquidez global, aumentando o fluxo para países como o Brasil e favorecendo produtores de commodities. Isso explica a força que a Petrobras ganhou — disse João Pedro Brugger, da Leme Investimento.

PETROBRAS: BALANÇO PODE TRAZER PERDAS COM CORRUPÇÃO

Em comunicado enviado ao mercado, a estatal afirmou nesta quarta que realiza análises necessárias para finalmente fechar a divulgação das demonstrações contábeis referentes ao 3º trimestre de 2014, que já foi adiada em duas ocasiões. Segundo o texto, essas análises incluem “avaliação individual de ativos e projetos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na Operação Lava-Jato, inclusive a RNEST (Refinaria de Abreu e Lima” e “poderá resultar no reconhecimento de perdas e consequente revisão de seu ativo imobilizado atual.”

Segundo Maurício Pedrosa, estrategista da Queluz Asset Management, embora se trate de um balanço não auditado, os investidores olharão com bastante atenção os números da empresa, seja para avaliar a metodologia usada para contabilizar as perdas, seja para saber o que tem evoluído dentro da estatal apesar do escândalo da Lava Jato.

— O mercado já embutiu no preço das ações da Petrobras uma estimativa sobre as perdas, mas o cálculo não é um consenso porque trata-se de algo intangível. Então, será importante saber o número oficial. Além disso, os investidores desejam muito saber como a empresa está se saindo nessa conjuntura de petróleo baixo, que estaria favorecendo seu caixa — explicou Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

Também teve impacto nos papéis da companhia o preço do petróleo, negociado em alta nesta quarta-feira devido aos rumores sobre o pacote Europeu e a sinais de que a baixa cotação do produto está freando sua exploração nos Estados Unidos, produtor que mais cresce no mundo. A BHP Billiton, maior investidor estrangeiro na exploração de óleo não convencional, reduzirá em cerca de 40% o número de poços em operação no país devido à queda da commodity. Já o ministro do petróleo do Iraque, Adel Abdul-Mahdi, afirmou hoje em entrevista no Kwait que os valores já atingiram seu piso. O barril do tipo Brent sobe 2,27%, cotado a US$ 49,05.

Os bancos também tiveram alta generalizada, com o Banco do Brasil subindo 2,53%, o Bradesco valorizando-se em 2,44%, o Itaú Unibanco avançando 2,95% e o Santander, 1,31%. Após as notícias sobre o pacote do BCE, as ações da Vale, que caíam, passaram a subir e fecharam em alta de 1,56% (ON) e 1,25% (PN).

Fonte: O Globo

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