News - Briefing de Mercado

Especialistas criticam escolha de Bendine para assumir Petrobras
06/02/2015

06 de Fevereiro de 2015 12h11
Bruno Rosa / Renna Setti

Segundo Bradesco BBI, escolha do executivo do BB não representa melhoras para a companhia.

Analistas do mercado financeiro, bancos e e especialistas do setor de petróleo criticaram a decisão do governo de escolher Aldemir Bendine (presidente do Banco do Brasil) para a presidência da Petrobras no lugar de Maria das Graças Foster, que renuncia hoje ao cargo. Segundo eles, a escolha é ruim e pode prejudicar a Petrobras. Além disso, afirmam “ser mais do mesmo”. Com a notícia, as ações da companhia abriram em forte queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

— Não era exatamente o que o mercado queria. A impressão que dá é que o governo não conseguiu achar ninguém do mercado privado, completamente independente do governo e com autonomia total para indicar sua equipe. Não veio aquele profissionalismo na gestão que se prometia, e assim a empresa seguirá sem um choque de credibilidade — afirmou Rogério Freitas, sócio na Teórica Investimentos.

Segundo a Bloomberg, relatório do Bradesco BBI afirma que a escolha do executivo do Banco do Brasil não representa melhoras para a companhia e pode se tornar um obstáculo para a divulgação do balanço auditado da Petrobras, que deve ser publicado até junho para evitar uma antecipação do vencimento dos títulos da estatal detidos por investidores estangeiros.

— Muito mais do que uma simples mudança, o mercado esperava um choque de gestão. A interpretação dos investidores é que esse choque não virá por meio de uma pessoa ligada à política, que vem de uma outra estatal — disse Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos. — Os outros nomes que vinham sendo cogitados seriam muito mais bem aceitos do que o de Bendine.

Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), lembra que o mercado financeiro se frustrou com a decisão do governo. Segundo ele, o governo deveria indicar uma nome que representasse uma mudança real na condução da companhia e não um executivo que é “uma pessoa do governo Dilma Rousseff”.

— É mais do mesmo. Foi uma escolha ruim. Com isso, o mercado está entendendo que a direção da Petrobras vai continuar seguindo as ordens de Brasília. Achava-se que o governo iria refundar a empresa e, assim, atender aos interesses dos acionistas e não tratando a Petrobras como se fosse 100% estatal. Agora, o mercado vai fazer mea-culpa e dizer que prefere a Graça — disse Adriano Pires, lembrando que a presidente não conseguiu convencer nenhum executivo de mercado a aceitar o cargo sem sofrer interferência política.

O especialista em óleo e gás Claudio Pinho, professor da Fundação Dom Cabral, acredita que o governo mostra “indolência para resolver situações de crise”. Segundo ele, o novo presidente da Petrobras deveria ser alguém com conhecimento no setor de óleo e gás ou com experiência para lidar com situações de crise, o que não é o caso, diz Pinho.

— É preciso mais transparência com os casos de corrupção externa, mais transparência com as apurações internas e saber quais as ações que a Petrobras está fazendo para melhorar a governança. Isso o mercado não sabe. Apesar de Graça ter anunciado o bloqueio na contração de 23 empresas com indícios de formação de cartel e nomeação de um diretor de Governança (João Elek), não houve esclarecimento em relação à transparência — disse Pinho.

Fonte: O Globo

voltar

 
 
 
© 2009 AZ Investimentos - all rights reserved | desenvolvido por Client By