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Dólar segue tendência global e cai 2%, fechando semana em R$ 3,23; Bolsa sobe forte com Petrobras e Vale
23/03/2015

23 de Março de 2015 09h16
Rennan Setti

Divisa americana registra desvalorização em semana de comunicado ‘ameno’ do Fed.

Os turistas brasileiros têm o que comemorar: apesar da histeria e da tendência permanente de alta, o dólar deu uma trégua e fechou a semana mais barato do que começou. Tudo bem que o recuo foi de apenas dois centavos na cotação, mas esta foi a primeira semana de março com desvalorização da moeda americana. O dólar comercial fechou a sexta-feira em queda diária de 2%, cotado a R$ 3,230. Na semana, a desvalorização foi de 0,6%.

Depois de ter disparado ontem, a cotação do dólar comercial em reais seguiu tendência global de desvalorização. A moeda americana perdeu valor frente a 14 das 16 principais divisas do mundo, com os investidores ainda repercutindo o comunicado do Federal Reserve (banco central dos EUA) de quarta-feira, que sugeriu que aumento de juros no país deve acontecer mais tarde do que se esperava. O índice US Dollar, que apura a força do dólar frente a uma cesta de moedas, caiu hoje 1,36%. Na semana, seu recuo foi de 2,43%, o maior desde 2011. Também contribuiu para a desvalorização sinais de que a Grécia pode fechar acordo com seus credores e, no Brasil, notícias sobre a disposição do governo em passar o ajuste fiscal.

Devido às incertezas domésticas e ao pouco volume do mercado de câmbio brasileiro nesses dias de grande volatilidade, as oscilações aqui foram bruscas. A moeda chegou a despencar 2,93% por volta de 13h30m, valendo R$ 3,202 na mínima do dia, e a subir com força até R$ 3,317, na máxima.

— No Brasil, o foco continua sendo o cenário político. O mercado está vendo que o governo tem dado reiterados sinais de que está disposto a promover o ajuste em suas contas, então isso contribui bastante para depreciar o dólar hoje — afirmou Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

AÇÕES EM FORTE ALTA

Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operou na ponta contrária, em alta, com o índice de referência Ibovespa avançando 1,99%, aos 51.966 pontos. A Bolsa acompanhou os mercados globais, que registraram alta forte pelos mesmos motivos que empurram o dólar para baixo.

A maior alta entre as ações foi da Estácio, que disparou 12,47% após a rede de universidades divulgar balanço financeiro referente ao quarto trimestre. O lucro líquido da companhia foi de R$ 80,9 milhões e o Itaú BBA destacou surpresa positiva na tendência de crescimento das matrículas no primeiro semestre.

Um destaque importante veio das ações do setor elétrico. A Eletrobrás avançou 7,33; a Cemig teve alta de 5,57%; a EDP se valorizou em 7,02%. Mas os papéis que puxaram o pregam foram os das chamadas “blue chips”, as empresas com maior peso no Ibovespa. Em dia de forte alta do petróleo por causa do dólar enfraquecido — o barril do tipo WTI sobe 4%, aos US$ 45,72 — a Petrobras avançou 5,41% (ON, com direito a voto) e 5,06% (PN, sem voto).

A Vale acompanhou a valorização de outras mineradoras pelo mundo (a Anglo American subiu 5,21%, por exemplo) e registrou valorização de 5,74% (ON) e 4,70% (PN).

— Nossa Bolsa está acompanhando os mercados internacionais, com muita entrada de estrangeiros e petróleo e minério de ferro em alta. O que ocasionou isso foi o comunicado do Fed. Quem achava que os juros americanos iriam subir em julho agora está achando que virá em setembro — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

DÓLAR EM DIAS INTENSOS

Ontem, o dólar subiu 2,58% e fechou em R$ 3,296, maior valor desde 1º de abril de 2003. Isso surpreendeu muitos investidores, já que um comunicado do Federal Reserve (Fed) havia promovido uma desvalorização do dólar em escala mundial.

“Ontem, o mercado global deu uma “meia volta volver” e atentou para o fato de que as condições americanas melhoraram bastante para que ocorresse mais brevemente a mudança do juro, mas que o FED havia adotado uma decisão e mais uma insinuação focando proteger a economia americana, a poupando dentro do possível dos efeitos de valorização excessiva do dólar”, analisou em relatório de hoje Sidnei Nehme, economista da corretora de câmbio NGO, destacando ainda a deterioração da economia brasileira e as dificuldades políticas para aprovação do ajuste fiscal, fatores que contribuem ainda mais para a valorização do dólar frente ao real.

Mas Monteiro observou que o principal motivo para a alta de ontem foi a declaração da presidente Dilma Rousseff, negando que uma reforma ministerial estaria em curso. Os investidores entendem que mudanças no ministério poderiam melhor a coordenação política com os partidos da situação, facilitando a aprovação do ajuste fiscal no Congresso.

EUFORIA NAS BOLSAS GLOBAIS, COM NASDAQ PERTO DO RECORDE

As Bolsas da Europa fecharam em alta, favorecidas por notícias corporativas e pelo bom humor com as esperanças de que a Grécia consiga celebrar um acordo com seus credores. Os líderes gregos e da Zona Euro concordaram que é preciso acelerar a implantação do acordo de 20 de fevereiro para prolongar o programa de resgate ao país, disse ontem à noite o presidente francês François Hollande após reunião com Alexis Tsipras, primeiro ministro da Grécia. O índice de referência Euro Stoxx registrou alta de 1,51%, enquanto a Bolsa de Londres teve alta de 0,86%. A Bolsa de Paris subiu 1% e a de Frankfurt, 1,18%.

Em Wall Street, o índice de referência Dow Jones sobe 1,12%. O índice Nasdaq registra valorização de 0,81%, aos 5.032 pontos — chegando perto do recorde histórico atingido antes do colapso da bolha da internet, os 5.048 de 10 de março de 2000. O S&P 500 avança 1,02%.

Fonte: O Globo

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