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Após atingir R$ 3,21, dólar cede com dado fraco nos EUA e cai a R$ 3,17; Bovespa sobe
01/06/2015

01 de Junho de 2015 09h17
Rennan Setti

A estagnação do consumo das famílias americanas inverteu a trajetória do dólar nesta segunda-feira, que passou a cair após a divulgação do número decepcionante. Após ter atingido máxima de R$ 3,215, o dólar comercial agora registra desvalorização de 0,34% e vale R$ 3,174 na compra e R$ 3,176 na venda. O dólar vem de uma escalada contra o real, tendo subido em seis das últimas sete sessões. A moeda seguiu em queda mesmo após a divulgação de dados positivos sobre a indústria americana, que fizeram a divisa retomar a tendência de alta globalmente. Com o alívio no dólar, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta, com seu índice de referência Ibovespa avançando 0,28%, aos 52.910 pontos, puxada por Qualicorp, Petrobras e Vale.

Contrariando as previsões otimistas dos analistas do mercado financeiro, o consumo das famílias americanas ficou estagnado em abril, com os consumidores poupando para reforçar suas economias. Em março, os gastos haviam subido 0,5%. O dado divulgado hoje pelo Departamento de Comércio indica que a economia dos EUA deve precisar de mais tempo para retomar seu fôlego. Com isso, perde força a hipótese de que os juros do país subirão em breve, o que retira força do dólar.

Por outro lado, a indústria americana avançou mais que o esperado em maio, com as encomendas crescendo ao maior ritmo em cinco meses. Segundo o Institute for Supply Management, seu índice industrial subiu para 52,8 pontos, em maio, contra 51,5 em abril.

O índice da Bloomberg Dollar Spot, que mede a força do dólar frente a uma cesta de dez divisas, sobe 0,47%, após ter anulado os ganhos com os dados sobre consumo.

No Brasil, o Banco Central (BC) iniciou nesta segunda a rolagem de 7 mil contratos de swap cambial, um recurso oferecido ao mercado para proteger empresas e instituições financeiras de oscilações do dólar e que retira um pouco da força da moeda americana frente ao real. Com isso, o BC sinaliza que deve voltar a rolar 80% do lote de contratos que estão para vencer, assim como fez em maio.

QUALICORP DISPARA AO AFIRMAR QUE PRESIDENTE NÃO É INVESTIGADO

As ações da Qualicorp, do ramo de seguros, disparam 14,26%, após a companhia negar, em teleconferência, que seu presidente, José Seripieri Filho, esteja sendo investigado pela Polícia Federal. Na sexta-feira, os papéis da empresa tiveram a maior queda de sua história, 20%, após reportagem do GLOBO informar que a Qualicorp era alvo da Operação Acrônimo. No fim do dia, porém, O GLOBO retificou a informação, esclarecendo que José Seripieri Filho não é investigado na operação, mas que seu nome consta de uma lista de “objetos de interesse da investigação”, segundo policiais com acesso ao caso.

As ações da Petrobras sobem 0,67% (ON, com direito a voto) e 0,81% (PN, sem voto). Podem influenciar os papéis da petrolífera reportagem da “Folha de S. Paulo” segundo a qual o estatal estuda vender ativos no Golfo do México como parte de sua estratégia de desinvestimentos. Além disso, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) suspendeu hoje a Petrobras do seu quadro consultivo por um prazo de 12 meses. O IBGC — uma organização sem fins lucrativos e uma referência sobre práticas de governança no país — justificou sua decisão dizendo que “ainda não se tem certeza de que serão efetivas e sustentáveis no tempo” as medidas tomadas pela Petrobras após a operação Lava-Jato com o objetivo de elevar sua governança.

— Ela está devolvendo praticamente a queda de sexta-feira. Mas o papel vai seguir volátil em função dessas investigações. Os investidores vão querer saber até onde isso pode afetar a companhia — afirmou Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

A Vale tem alta de 1,14% (ON) e 1,01% (PN). Os bancos operam perto da estabilidade, com o Banco do Brasil subindo 0,21%, o Bradesco avançando 0,07% e o Itaú Unibanco, 0,02%.

Na agenda doméstica, os investidores estarão de olho à balança comercial de maio, que será divulgada hoje, e à entrevista do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, à tarde, que encontrará em Washington o secretário americano do Tesouro.

WALL STREET OSCILA

Com a divulgação de dados divergentes sobre o ritmo da economia americana, as Bolsas oscilam em Wall Street. O índice Dow Jones tem baixa de 0,09%, o S&P 500 cai 0,04% e o Nasdaq, 0,31%.

No mercado europeu, os papéis registram alta após dois pregões de quedas com um maior otimismo sobre a possibilidade de a Grécia chegar a um acordo com seus credores. O índice de referência Euro Stoxx registra alta de 0,49%, a Bolsa de Londres tem alta de 0,14%, a Bolsa de Paris sobe 0,68% e a de Frankfurt, 0,57%.

Fonte: O Globo

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