News - Briefing de Mercado

Dólar cai 0,9%, a R$ 3,85, com dados fracos de China e EUA
14/10/2015

14 de Outubro de 2015 09h04
Rennan Setti

Indicadores decepcionantes sobre as economias chinesa e americana divulgados nesta quarta-feira reforçaram a expectativa dos investidores de que os juros dos EUA só devem ser elevados no ano que vem, levando o dólar a se desvalorizar em todo o mundo. Contra o real, depois de ter registrado sua maior alta diária desde 2011 na terça-feira, o dólar comercial opera em queda de 0,89% nesta quarta, cotado a R$ 3,857 para compra e a R$ 3,859 para venda. Já em escala global, o dólar recua 0,44% contra as dez principais divisas do mundo, segundo o índice Dollar Spot, da Bloomberg. Na comparação com o euro, o dólar caiu ao menor nível em um mês.

Ontem, a moeda americana avançou 3,59% frente ao real, encerrando cotada a R$ 3,894 para venda, em dia de maior aversão global a risco por causa da China e de escalada da tensão política em Brasília.

Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com volatilidade, registrando agora recuo de 0,09%, aos 47.317 pontos, após ter caído 4% na véspera.

Se na terça-feira foram os números ruins sobre as importações chinesas que preocuparam os investidores, hoje gera temor os dados sobre a inflação. Os preços ao consumidor na China desaceleraram mais que o esperado em setembro, e os preços ao produtor ampliaram a queda pelo 43º mês seguido. O índice avançou 1,6% na comparação anual, segundo a Agência Nacional de Estatísticas, enquanto os economistas esperavam alta de 1,8%. Em agosto, aumento havia sido de 2%. Já os preços no atacado, voltados para o produtor, registraram deflação de 5,9% na comparação anual.

Com isso, as ações europeias registram o terceiro dia seguido de queda, com o índice de referência EuroStoxx recuando 0,26%, a Bolsa de Londres caindo 0,52%, a de Paris em baixa de 0,15%, e a de Frankfurt, 0,47%.

Em Wall Street, o resultado é misto. O índice de referência Dow Jones cai 0,11%, enquanto o S&P 500 sobe 0,15%. A Nasdaq cai 0,20%.

— O mercado já está esperando que a alta dos juros americanos ficará para o ano que vem, e os dados divulgados hoje reforçam isso. No contexto doméstico, a conjuntura política continua pesando, com a briga política no Congresso e as incertezas sobre a possibilidade de impeachment. O mercado está precificando isso. ontem, já tivemos uma queda bem acentuada da Bolsa e a disparada do dólar. Houve um excesso. Então, hoje, é mais um movimento de ajustes depois daquele excesso, mas a volatilidade vai continuar — disse Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

NOS EUA, DEFLAÇÃO NO ATACADO E VENDAS QUASE ESTACIONADAS

Nos EUA, as vendas no varejo subiram 0,1% em setembro, após um mês de agosto sem variação. A compra de automóveis pelos americanos avançou 1,8% e o gasto em restaurantes subiu 0,7%. Mas esses avançou foram anulados pelos gastos com combustíveis, que recuaram 3,2% devido ao preço mais baixo.

Também foi divulgada hoje a inflação do atacado nos EUA, que registrou queda de 0,5% em setembro, a maior queda desde janeiro, provocada pelo barateamento dos combustíveis e dos alimentos. A deflação foi maior que a esperada pelos analistas do mercado financeiro.

Os sinais de fragilidade vindos da China e a timidez da economia americana se somaram às declarações de membros do Fed (Federal reserve, banco central dos Estados Unidos) para reforçar a expectativa de que os juros do país só subirão mesmo no ano que vem. Em entrevista à rede americana CNBC na terça-feira, o membro do conselho do Fed Daniel Tarullo admitiu que ele não acredita que os juros do país precisem subir este ano, declaração em linha com o que disse esta semana sua colega de Fed Lael Brainard.

VAREJO NO BRASIL TEM PIOR MÊS EM 12 ANOS

No Brasil, os dados sobre as vendas do comércio também decepcionaram, caindo 0,9% em agosto, frente ao mês de julho. Na comparação com agosto de 2014, a queda foi de 6,9%. Os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) foram divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE. O recuo de 6,9% é o mais alto na comparação anual desde março de 2003, quando foi de 11,4%. É também a pior taxa para o mês de agosto de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2000.

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O resultado veio pior que o esperado pelo mercado. Economistas ouvidos pela agência de notícias Bloomberg esperavam uma taxa média de queda de 0,6% na comparação com julho e de 5,7% frente a agosto de 2014. Apenas em 2015, a queda acumulada do varejo é de 3%. Quando se considera os doze meses encerrados em agosto, o recuo é de 1,5%.

PETROBRAS EM LEVE QUEDA

As ações da Petrobras operam em leve queda, com o papel ordinário (ON, com direito a voto) recuando 0,20%, cotado a R$ 9,82, enquanto o preferencial (PN, sem voto) cai 0,12%, a R$ 8,12. A Vale, cujas ações ordinárias despencaram mais de 10% na terça por causa da preocupação com a China, seu principal mercado, hoje sobe 1,13% (ON, a R$ 18,79) e 1,06% (PN, a R$ 15,14).

Os bancos também avançam. O Banco do Brasil registra valorização de 1,29%,a R$ 17,19, enquanto o Bradesco tem alta de 0,70%, com o papel preferencial valendo R$ 22,84. O Itaú Unibanco cai 0,71%, a R$ 28,17

Fonte: O Globo

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