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Bolsa sobe 1,5% e dólar passa a cair após BCE sugerir estímulo
22/10/2015

22 de Outubro de 2015 09h11
Rennan Setti

Mario Draghi sugeriu que zona do euro pode precisar de novo incentivo monetário.

O dólar comercial passou a cair e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ganhou fôlego, após o presidente do Banco Central Europeu (BCE) indicar que a autoridade monetária pode conceder novos estímulos econômicos por causa do fraco crescimento global. A divisa, que chegou a subir 0,5% pela manhã, agora cai 0,50% contra o real, cotada a R$ 3,924 para compra e a R$ 3,926 para venda. O dólar perde força contra as principais divisas de países emergentes, enquanto as commodities se valorizam. Já o índice de referência da Bolsa, o Ibovespa, avança 1,49%, aos 47.728 pontos, com fortes altas de Petrobras e Vale.

— O Ibovespa ampliou a alta com a abertura dos mercados americanos, com a sinalização pelo presidente do BCE de novas medidas de estímulo. Com a alta da Bolsa, o dólar foi na direção contrária, caindo — afirmou Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

Para Zeno, exerce pouca influência no pregão o fato de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido, por unanimidade, os juros básicos em 14,25% ao ano mas ter indicado que não pretende mais atingir o centro da meta de inflação no fim de 2016.

Mario Draghi, presidente do BCE, sugeriu que a zona do euro pode precisar de novo estímulo monetário em dezembro, além dos atuais juros negativos e de um programa trilionário de compra de títulos hoje em vigor. Isso porque o fraco crescimento global tem prejudicado, segundo Draghi, a retomada dos indicadores de atividade do continente. Ele falou a jornalistas após reunião de política monetária do BCE, que manteve suas taxas de juros inalteradas. Segundo Draghi, a autoridade monetária vai reexaminar, em dezembro, o escopo do estímulo concedido à região pelo banco.

Nos mercados estrangeiros, a reação das Bolsas à sugestão de mais estímulo foi intensa. O índice de referência do mercado europeu, o Euro Stoxx, salta agora 2,39%, enquanto a Bolsa de Londres sobe 0,35%. Em Paris, os papéis sobem 2,20% e em Frankfurt, 2,36%. Em Wall Street, o Dow Jones avança 1,16%, enquanto o índice S&P 500 sobe 1,08%. O Nasdaq valoriza-se em 1,2%.

Após a fala de Draghi, o euro despenca frente ao dólar, recuando 1,48%, valendo US$ 1,11.

VALE TEM PREJUÍZO DE R$ 6,6 BILHÕES

Na agenda doméstica, os investidores devem reagir aos números sobre o desemprego no país, cuja taxa ficou em 7,6% em setembro, estável em relação a agosto. No entanto, para meses de setembro é o pior resultado desde 2009. O dado faz parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que engloba seis regiões metropolitanas do país (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre). A população desocupada foi estimada em 1,9 milhão de pessoas e não apresentou variação frente a agosto. No entanto, cresceu 56,6% em relação a setembro de 2014, representando mais 670 mil pessoas em busca de trabalho.

Entre as empresas, a divulgação de maior peso é sobre a Vale que, mesmo com produção recorde de minério de ferro no terceiro trimestre, teve prejuízo líquido de R$ 6,663 bilhões no terceiro trimestre de 2015, contra lucro líquido de R$ 5,144 bilhões no trimestre anterior. No terceiro trimestre de 2014, a empresa havia registrado prejuízo de R$ 3,381 bilhões. A empresa divulgou seu resultado financeiro no início da manhã desta quinta-feira.

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A mineradora cita efeitos imediatos nos resultados financeiros da depreciação de 28% do real ante o dólar. Como mais de 90% da dívida da empresa são denominados em moeda americana, isso acaba neutralizando os ganhos operacionais, ou seja, os ganhos obtidos com a venda de seus produtos.

As ações da mineradora operam em alta, com o papel ordinário (ON, com direito a voto) avançando 3,86%, a R$ 18,79. Já o preferencial (PN, sem voto) sobe 1,94%, a R$ 15,03.

A Petrobras registra valorização de 3,47% (ON), a R$ 9,81, e 3,61% (PN), a R$ 8,03. Entre os bancos, o Banco do Brasil sobe 1,56%, a R$ 16,92, enquanto o Bradesco sobe 1,02% (R$ 21,75) e o Itaú Unibanco, 0,86% (R$ 26,95).

Fonte: O Globo

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