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Após prisão de Esteves, ações do BTG Pactual caem 33% na Bovespa
25/11/2015

25 de Novembro de 2015 15h00
Rennan Setti / Ana Paula Ribeiro

Volume de negociação do papel subiu mais de 6.000%. Dólar sobe mais de 2%

As ações do banco de investimento BTG Pactual registram tombo de 33,14% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), após a prisão do seu diretor-executivo e maior sócio, André Esteves, pela Operação Lava-Jato. É a maior queda já sofrida pelo papel da empresa desde que ele estreou no mercado, em 2012.

As ações do BTG, que fecharam ontem cotadas a R$ 30,89, agora operam valendo R$ 20,47. É também a menor cotação já registrada pelo papel. O recuo representa uma perda de R$ 9,38 bilhões em valor de mercado para o banco, cuja capitalização agora é de R$ 19,6 bilhões. André Esteves tem participação de 22% no capital do banco.

A prisão de Esteves desencadeou o temor dos investidores. O volume de negociação dos papéis hoje é 6.569% maior do que a média dos últimos 20 dias, segundo dados da Bloomberg. Há informações de que grandes clientes que possuem recursos aplicados nos fundos administrados do BTG Pactual já teriam começado a pedir resgates.

Outro efeito da prisão de Esteves é a escassez de ações do BTG para alugar, o que mostra é que a aposta é que o banco vai perder ainda mais valor de mercado. Nesse tipo de operação, o investidor aluga uma ação por um prazo determinado e tem o compromisso de devolvê-la ao final desse período (se tomou emprestado 100 mil ações, tem que devolver a mesma quantidade). As ações alugadas em geral são vendidas no mercado à vista para serem recompradas mais tarde, depois que os papéis se desvalorizarem, e devolvidas a quem alugou as ações.

— Não tem mais papel do BTG para alugar. E só quem está comprando ações do BTG é a própria tesouraria do banco ou fundos por ele administrados – ressaltou o profissional de uma corretora.

DÓLAR AVANÇA

Já o dólar comercial opera em alta de 2,13% nesta quarta-feira, cotado a R$ 3,780 para compra e a R$ 3,782 para venda. Na máxima, chegou a R$ 3,807. A valorização acompanha o movimento externo e é intensificada pelas incertezas políticas trazidas pelas novas prisões da operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

Embora o BTG não integre o índice de referência da Bolsa, o Ibovespa, as notícias também contaminam o pregão. A Bolsa recua 2,05%, aos 47.294 pontos. Das 63 ações que compõem o Ibovespa, 53 operam em queda.

- O mercado está hoje está totalmente alheio ao cenário externo e focado na Lava-Jato, sobretudo com a prisão de André Esteves. Os investidores estão perplexos com a prisão de uma pessoa de tamanha expressão, que já estave no Fórum de Davos. Isso vem, mais uma vez, manchar a imagem do país. Em um momento como esse, o primeiro a pular fora é o estrangeiro, que não tolera esse tipo de risco no portfólio - afirmou Ricardo Zeno, da AZ Investimentos.

Os papéis da Petrobras recuam 4,40% (ON, com direito a voto) e 4,58% (PN, sem voto). A Vale tem queda de 1,79% (ON) e 1,57% (PN). Entre os bancos, o Banco do Brasil registra desvalorização de 3,38%, enquanto o Bradesco recua 3,91% e o Itaú Unibanco, 3,20%.

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O movimento de valorização do dólar é global hoje, com a divisa avançando 0,27% contra uma cesta de dez moedas, segundo o índice Dollar Spot. O dólar sobe frente a 12 das 16 principais moedas do mundo.

O Banco Central dará continuidade, pela manhã, à rolagem dos swaps cambiais que vencem em dezembro, com oferta de até 12.120 contratos, que equivalem a uma venda futura de dólares.

Ontem, o maior fluxo de recursos para o país e uma nova oferta de dólares por parte do Banco Central contribuíram para que a divisa atingisse a mínima de R$ 3,694, o menor valor de negociação desde os R$ 3,641 de 1º de setembro. A moeda fechou valendo R$ 3,703.

Fonte: O Globo

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