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Dólar sobe a R$ 4,04 e Bovespa cai 1,9% após novo pregão tenso na China
07/01/2016

07 de Janeiro de 2016 10h29
Rennan Setti

Nervosismo foi desencadeado pela decisão do BC chinês de desvalorizar o yuan.

O dólar comercial avança 0,62% nesta quinta-feira, a R$ 4,046, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai 1,86% (40.994 pontos) acompanhando a tensão dos mercados globais com a economia da China. O nervosismo foi desencadeado pela decisão do banco central chinês de desvalorizar em 0,51% a taxa de câmbio em torno da qual o yuan pode flutuar durante o dia.

O yuan está autorizado a flutuar ante o dólar com uma margem de mais ou menos 2% a partir de uma taxa de referência, definida pelo Banco Central chinês (PBOC). A desvalorização da moeda chinesa é um sinal de preocupação com a economia, pois serve para estimular as exportações.

Na Europa, as Bolsas registram forte queda, com o índice de referência europeu Euro Stoxx 50 caindo 2,95%, enquanto a Bolsa de Londres recua 2,69%. Em Paris, a queda é de 2,78%, e em Frankfurt, de 3,46%. A Bolsa de Tóquio fechou com forte baixa, em seu nível mínimo em três meses. O índice Nikkei perdeu 2,33%. O Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, fechou em baixa de 3,1%, a maior queda desde julho de 2013. A Bolsa de Sydney registrou queda de 2,2% e a de Seul perdeu 1,1%.

— O mercado está repercutindo o desempenho das principais Bolsas globais, com mais uma vez o acionamento do circuit break na China e uma queda generalizada nas commodities. O petróleo está renovando suas baixas, e o dólar opera em patamar superior. No Brasil, já temos uma conjuntura doméstica muito ruim. Agora estamos vivendo uma situação externa também complicada — disse Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.

Na opinião de Zeno, o Ibovespa está operando perto do que os analistas chamam de "nível de suporte". Assim, caso siga em queda, Zeno afirma que é provável que ela chegue aos 38 mil pontos.

Pela segunda vez nesta semana, as bolsas de Xangai e Shenzhen ativaram nesta quinta-feira o mecanismo que suspende automaticamente o pregão quando há uma queda muito expressiva. Quando a queda superou os 5%, houve uma paralisação de 15 minutos. A sessão foi retomada, mas acabou definitivamente suspensa quando a perda superou os 7%. A baixa expressiva foi causada pela desvalorização da moeda local, o yuan, pelo governo. Os demais mercados asiáticos também fecharam em queda e os da Europa abriram em baixa.

O índice geral de Xangai (SSE Composite), o principal indicador dos mercados chineses, fechou nesta quinta-feira em baixa de 7,32%, enquanto o de Shenzhen (SZSE Component) despencou 8,35%.

O mecanismo de suspensão dos negócios já havia entrado em vigor na segunda-feira, no primeiro pregão do ano, para reduzir a volatilidade das Bolsas chinesas e evitar a repetição do desastre ocorrido no verão passado.

Na Bovespa, apenas duas das 61 ações que compõem o índice de referência Ibovespa operam em alta. As ações da Petrobras recuam 3,47% (ON) e 3,28% (PN), impactadas pela queda do petróleo. Além disso, analistas acreditam que papel da companhia também sofre influência de informação publicada pelo jornal “Estado de S. Paulo”, segundo a qual a o novo plano de negócios da empresa pode sair em fevereiro e deve mostrar uma redução ainda maior no investimento de 2016. A reportagem também afirma que o plano é aumentar a lista de ativos para venda

“A empresa precisa melhorar sua situação financeira. O nível de endividamento atual é inviável. A geração de caixa ameaçada com o petróleo abaixo de US$ 35 e a venda de ativos parece ser muito grande e num momento extremamente complicado do mercado e da empresa. Um novo aumento de capital parece cada vez mais próximo”, escreveram os analistas Claudio Moura e Hersz Ferman, da Elite Corretora.

As ações da Vale caem 4,31% (ON) e 4,69% (PN), enquanto o Banco do Brasil tem baixa de 0,90% e o Bradesco recua também 0,90%. O Itaú Unibanco sobe 0,15%.

Fonte: O Globo

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