News - Briefing de Mercado

Dólar sobe 1,81%, a R$ 3,582, e fecha no maior patamar em um mês
24/05/2016

23 de Maio de 2016 09h03
Ana Paula Ribeiro

Cenário político faz Bolsa cair 0,79%; investidores aguardam medidas fiscais.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reduziu a intensidade das perdas causadas pela divulgação de uma gravação que indica que o ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), tentou frear as investigações da Lava Jato. Ainda assim, o índice terminou o pregão no vermelho. O Ibovespa recuou 0,79%, aos 49.330 pontos - no pior momento do pregão, o índice chegou a cair 2,06%. Já o dólar comercial registrou alta de 1,81% ante o real, cotado a R$ 3,580 na compra e a R$ 3,582 na venda - essa é a maior cotação de fechamento desde 18 de abril (R$ 3,598).

Contribuiu para o mau desempenho a divulgação da gravação de uma conversa do ministro do Planejamento que sugere um “pacto” para conter a Lava Jato. Para Jefferson Luiz Rugik, a moeda operou pressionada por todo o pregão devido a fatores externos e internos, incluindo a falta das medidas fiscais e o cenário político conturbado.

— As gravações envolvendo o ministro do Planejamento, a queda do petróleo, a fala de diversos integrantes do Fed e a demora no anúncio das novas medidas econômicas pelo atual governo foram os principais indutores que levaram os participantes deste mercado a buscarem proteção no dólar — justificou.

Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, afirmou que o conteúdo da conversa afeta um governo que ainda é interino. O movimento foi amenizado, no entanto, após entrevista de Jucá.

Além disso, o cenário externo é desfavorável, com queda do preços das commodities e o temor de um novo aumento de juros nos Estados Unidos no curto prazo.

— Há o envolvimento do Jucá nessa gravação e ele é ministro de um governo que ainda nem começou e não apresentou as medidas do que vai fazer. O cenário externo também contribui, com a queda do petróleo e a possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos — disse.

No mercado de câmbio, segue a preocupação com um aumento de juros nos Estados Unidos e os sinais de uma economia ainda fraca na zona do euro. No exterior, o “dollar index’, calculado pela Bloomberg e que mede a relação do dólar ante uma cesta de dez moedas, teve leve queda de 0,08%, perdendo para as divisas consideradas fortes e ganhando força ante as divisas de moedas de emergentes.

PREOCUPAÇÃO FISCAL

A nova meta fiscal de déficit fiscal, de R$ 170,5 bilhões, foi anunciada na sexta-feira à noite pelos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento e deve ser votada amanhã pelo Congresso Nacional. Paulo Eduardo Nogueira, economista-chefe da Azimut Brasil, lembra que essa votação vai ocorrer em meio à divulgação dessa conversa. “A divulgação ocorre na véspera da votação da nova meta fiscal e que será referência para eventual processo de responsabilidade caso tal meta não seja cumprida”, lembra o economista.

Ricardo Zeno, sócio lembra que além da votação da meta fiscal, há a expectativa em relação às medidas que devem ser divulgadas amanhã.

— Essa meta fiscal não é positiva. O mercado agora vai ficar de olho nas medidas que serão tomadas para equilibrar as contas públicas e na aprovação dessas medidas pelo Legislativo — afirmou.

Em meio a esse cenário turbulento político, as ações da Petrobras registram forte queda. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) recuaram 4,49%, cotados a R$ 8,50, e os ordinários (ONs, com direito a voto) caíram 2,55%, cotados a R$ 11,04. O ritmo de queda foi bem superior ao registrado pelo petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent registrava desvalorização de 0,62%, a US$ 48,42, no momento do encerramento dos negócios no Brasil.

Após abrir em queda, os papéis da Vale se recuperam com a divulgação de um relatório do banco americano Merril Lynch recomendando a compra desses ativos. Os PNs subiram 0,87% e os ONs tiveram elevação de 2,19%. O setor bancário, de maior peso na composição do Ibovespa, também registrou melhora. Os preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco apresentaram variação positiva de, respectivamente, 0,33%, e 0,28%. A exceção é o Banco do Brasil, que cai 1,79%.

No exterior, os principais indicadores do mercado acionário também fecharam em queda. O DAX, de Frankfurt, caiu 0,74%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, teve recuo de 0,66%. O FTSE 100, de Londres, teve leve variação negativa de 0,32%. No Estados Unidos, o Dow Jones teve leve variação negativa de 0,05% e o S&P 500 registrou desvalorização de 0,21%.

Fonte: O Globo

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