News - Briefing de Mercado

Dólar comercial fecha em alta, a R$ 3,223, seguindo mercado global
09/01/2017

06 de Janeiro de 2017 09h20
Juliana Garçon

Com investidores embolsando lucros, Bolsa cai 0,65%.

O dólar operou nesta sexta-feira em alta, acompanhando a valorização no mercado internacional, e fechou com valorização de 0,78%, a R$ 3,223, com os investidores observando o ganho na renda média do trabalhador americano, divulgada nesta manhã, que se sobrepôs à decepção com o número de vagas geradas em dezembro nos EUA. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda, com investidores aproveitando para embolsar os lucros da véspera, após atingir ontem o maior nível desde 28 de novembro. Hoje, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, recuou 0,65%, a 61.665 pontos.

A taxa de desemprego nos EUA foi de 4,6% para 4,7%, e o número de vagas criadas, de 156 mil em dezembro, abaixo da previsão (178 mil). O resultado, porém, tem impacto limitado no cenário americano, avalia Adeodato Netto, estrategista da Eleven Research, sobretudo porque houve forte recuperação dos salários, dando mais espaço para o aquecimento da economia.

— Eles estão cada vez mais próximos do que chamamos de realidade de pleno emprego. O impacto natural é a elevação do custo-de-mão de obra, gerando impacto positivo para o potencial de consumo dos trabalhadores americanos, transferindo para as companhias o problema da aceleração na rotatividade e consequente perda potencial de eficiência.

Para Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital, o dia é de ajustes, apoiados no otimismo global. Os dados sobre o mercado de trabalho são observados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na decisão sobre o ritmo de alta de juros. Taxas mais altas no país têm potencial para atrair recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro. Com a maior atratividade do mercado americano, a divisa ganha força frente a seus pares. O Dollar Index Spot, que compara o dólar com uma cesta de dez moedas globais, tem ganho de 0,75%, às 17h.

— Recentemente, o Fed se mostrou mais atento e sensível ao crescimento mais rapido do consumo das familias. Este dado, ao meu ver poderá reforçar a atuação da autoridade monetária para elevar juros — diz Raphael Figueredo, da Clear Investimentos, lembrando que o Fed elevou sua taxa de juros no mês passado em 0,25 ponto percentual e previu três altas este ano.

Segundo Ricardo Zeno, o nível de R$ 3,20 já é um ponto de referência para o dólar, que deve testar esse patamar mesmo com possível intervenção do Banco Central.

— Acredito que esse movimento pontual do pregão de hoje seja um repique natural do mercado, que está tendo realização de lucro. O próprio Banco Central sinalizou que, se fosse necessário, entraria com contratos de swap cambial para segurar a moeda. A divisa voltou a testar esses R$ 3,20. A conjuntura vem melhorando gradualmente e a expectativa daqui para frente em termos de atividade econômica é de melhora. A tendência é que o dólar busque essa acomodação — afirma. — Acredito que o dólar vá continuar testando os R$ 3,20 até que consiga consistência em algo em torno de R$ 3.

Para Figueredo, os dados favoráveis aos EUA revertem a tendência de queda verificada pelo dólar nos últimos dias e pressionam o Ibovespa para baixo, com a perspectiva de direcionamento de recursos para os EUA.

Na Bovespa, as ações da Petrobras abriram em alta, mas zeraram os ganhos e operaram perto da estabilidade. Os papéis ON (ordinárias, com direito a voto) fecharam a R$ 17,49, com queda de 1,52%. Já as PN (preferenciais, sem voto) foram cotadas a R$ 15,66, recuando 0,57%.

Prejudicada pela queda do minério de ferro — a commodity sofreu queda de 3,4% no porto de Qingdao, na China —, a mineradora Vale recuou 2,66% nas ON, a R$ 25,97, e também 2,66% nas PN, a R$ 24,11.

— O minério de ferro caiu na China, isso causou uma queda na Vale, acima de 2%. A Petrobras também caiu. A empresa aumentou o preço do diesel a partir de hoje, mas o mercado esperava que também houvesse um aumento na gasolina, o que não ocorreu — aponta Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut.

Segundo ele, o fato de não ter havia reajuste na gasolina na semana que antecede a reunião do Copom poderia eventualmente levantar suspeita que a estatal não elevou o preço para não causa impacto na inflação e influenciar na esperada decisão do Banco Central de cortar os juros.

As ações ON da Oi tem valorização de 0,37%, cotadas a R$ 2,68, e as PN sobem 1,77%, a R$ 2,30. Nesta sexta-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a entrada no conselho de administração da Oi do grupo Société Mondiale.

O petróleo mantém a valorização da sessão de quinta-feira. O barril de WTI para fevereiro, negociado em Nova York, tem alta de de 0,29%, a US$ 54,05. Em Londres, o Brent para março sobe 0,19%, a US$ 57,08.

EXPECTATIVA DE CORTE DE JUROS

Rafael Sabadell, gestor da GGR Investimentos, destaca que, no mercado local, as atenções já se voltam para reunião do Banco Central na próxima quarta-feira, pois crescem as apostas em um corte mais forte nos juros, de 0,75 ponto percentual.

— O fraco resultado da indústria em novembro reforça a visão de que a economia está travada. Ao mesmo tempo, a inflação mostra tendência consistente de queda. Ontem, os contratos futuros de DI já tiveram forte queda, de mais de 0,1 ponto percentual nos papéis com vencimento em janeiro do ano que vem e janeiro de 2019.

Nesta sexta-feira, são os contratos para 2021 que reagem: abriram a 11,26% e fecharam a 11,21%. Os papéis para janeiro de 2018 chegaram a cair a 11,34%, mas zeraram as perdas e 11,38%. Para janeiro de 2019, os contratos fecharam a 10,89%, ante abertura em 10,80%.

MERCADOS INTERNACIONAIS

As principais bolsas europeias abriram nesta sexta-feira em baixa, à espera da publicação do relatório mensal do desemprego nos Estados Unidos, mas fecharam no terreno positivo. O índice CAC 40 da bolsa de Paris ganhou 0,19% e o FTSE-100 de Londres subiu 0,2%. Em Frankfurt, o índice Dax avançou 0,12%, em um dia que se anunciava tranquilo por ser feriado. Na Espanha, onde também é feriado, o Ibex 35 da bolsa de Madri teve alta de 0,23%.

Na China, os índices recuaram nesta sexta-feira, com a alta na primeira semana do novo ano mostrando sinais da fadiga e o yuan mais forte dando pouco suporte aos índices. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,59%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 0,35%. No acumulado da semana, o CSI300 subiu 1,1% e o SSEC avançou 1,6%. Uma série de dados da China nas próximas semanas deve mostrar que a economia entrou em 2017 com um impulso considerável.

Os mercados do restante da região avançaram para as máximas de quatro semanas,. Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 0,34%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,21%. Em Seul, o Kospi teve valorização de 0,35%.

Fonte: O Globo

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